28 de dezembro de 2012

Venezuela fecha acordo para zerar alíquotas com parceiros do Mercosul

Discretamente, nos dias que antecederam o Natal, negociadores venezuelanos e dos outros sócios do Mercosul concluíram negociações para reduzir a zero as tarifas no comércio entre si.

O acordo, para entrar em vigor, ainda depende de aprovação nos Congressos brasileiro e venezuelano. Prevê tarifa zero para todos os produtos venezuelanos -à exceção de itens do setor automotivo - "de forma imediata". A Venezuela garante tarifa zero aos produtos brasileiros a partir de janeiro de 2014, mas terá uma lista de 777 produtos com redução gradual de tarifas, até chegar a zero em 2018.

A Venezuela firmou três acordos separadamente, com Brasil, Argentina e Uruguai. Com os uruguaios, foi feito acréscimo a acordo assinado em 2008, data em que também foi assinado acordo com o Paraguai, que aguarda aprovação do Congresso paraguaio.

Os documentos das negociações, denominados Acordos de Complementação Econômica (ACE), foram depositados na Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) e estão disponíveis no site da instituição na internet.

Pelos termos da negociação, assim que aprovado pelo Congresso brasileiro, o acordo permitirá a entrada de produtos da Venezuela no Brasil sem pagamento de tarifas. Os venezuelanos também abrem a maior parte de seu mercado aos exportadores brasileiros,, à exceção dos produtos automotivos, que são regidos por acordo a parte, a ser renegociado a partir do primeiro semestre de 2013, e de uma lista de 777 tipos de mercadorias, que terão um cronograma de redução de tarifas, em, pelo menos, 60% a partir de janeiro de 2013.

Para grande parte dos produtos alimentícios, calçados e têxteis, a Venezuela vai cobrar 40% da tarifa de importação, entre 2013 e 2017, passando a zero em 2018. Outros produtos têm transição mais gradual, começando com 60%, ou até 91%, de redução da tarifa e aumento progressivo do desconto.

É o caso, por exemplo, de sapatos sofisticados, com ponta de metal no solado, vários tipos de papel e produtos gráficos, artigos de higiene ou toucador. Esses produtos começam com redução de 65% nas tarifas e têm essa redução aumentada em cinco pontos percentuais, ano a ano, até chegar a 85% em 2017 e 100% (tarifa zero) em 2018.

O acordo entre Venezuela e Argentina, também registrado na Aladi, prevê a criação de regras à parte para produtos automotivos e açúcar, e uma lista de 610 produtos com cronograma gradual de redução tarifária para exportações argentinas ao mercado venezuelano, até a tarifa zero em 2018.

As negociações para incorporação das regras do Mercosul pela Venezuela serão retomadas no ano que vem, quando a diplomacia brasileira espera obter o acordo para incorporação da Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco pelos venezuelanos. O governo da Venezuela tem até 2018 para igualar suas tarifas de importação à tarifa comum do Mercosul.

Só no ano que vem começam as negociações com a Bolívia, que aderiu formalmente ao bloco no começo de dezembro. Como a Venezuela, a Bolívia já tinha um Acordo de Complementação Econômica com os sócios do Mercosul, mas com prazos mais elásticos de redução de tarifas, que agora serão renegociados.

 
Fonte: Jornal Valor Econômico

Exportação de manufaturados recua na AL

Os produtos industrializados do Brasil continuam perdendo espaço nos principais mercados latino-americanos. A comparação da exportação de manufaturados e do saldo comercial deste ano com o de 2008 mostra recuo em relação à Argentina, Chile e México e estabilidade nas vendas com destino ao Peru e à Colômbia.

Na soma dos cinco países, as exportações de manufaturados caíram 7% na comparação entre janeiro a novembro deste ano e igual período de 2008. Em relação ao ano passado, o desempenho é ainda pior: queda de 18%, o que significou US$ 5,5 bilhões a menos no superávit da balança brasileira deste ano.

Embora o resultado tenha sido bastante influenciado pelas vendas à Argentina, o superávit comercial caiu também em relação aos demais países. O pior resultado aconteceu nas trocas com os mexicanos: o saldo, que era positivo em 2008, se transformou em negativo em 2012. Todos os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Maior mercado para os industrializados na região, a Argentina comprou, de janeiro a novembro deste ano, US$ 15 bilhões em manufaturados brasileiros. Apesar de considerado alto, o valor é quase US$ 1 bilhão menor que o verificado quatro anos antes, e US$ 5,3 bilhões inferior ao obtido em 2011. Se em 2008 o saldo brasileiro com os argentinos era positivo em US$ 4,3 bilhões, neste ano, até novembro, ficou em US$ 1,7 bilhão.

No comércio com o Chile, o recuo das manufaturas foi de 13% ante 2008, e de 5% em relação ao ano passado. Neste ano, até novembro, as vendas chegaram a US$ 2,7 bilhões. Por causa disso, o saldo da balança total com os chilenos encolheu e atualmente é positivo em US$ 426 milhões.

Já os mexicanos compraram menos do Brasil e, além disso, ampliaram as vendas de automóveis para o mercado brasileiro. O valor das vendas de manufaturados brasileiros no México foi reduzido de US$ 3,6 bilhões para US$ 3 bilhões, o que afetou o saldo com o país, que passou de US$ 1,1 bilhão positivo para US$ 2 bilhões negativos.

A dificuldade em permanecer no mercado dos vizinhos sul-americanos fez a Dudalina, empresa que chegou a ser a maior exportadora de camisas do país, destinar parcela ainda maior da produção para o consumo interno. Sonia Hess, presidente da empresa, disse que desistiu de apostar na América Latina. "Hoje não há muitos países para exportar. No México, há um imposto altíssimo para confecção. A Argentina, que já foi nosso maior mercado, esquece. Estamos pensando agora no mercado americano e na Europa", afirma.

No Peru e na Colômbia, o quadro é de estagnação da presença brasileira, embora esses países tenham acumulado crescimento de 24% e 41% respectivamente do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2008 e 2011. Para o Peru, os manufaturados neste ano estão com vendas acumuladas de US$ 1,8 bilhão, patamar parecido com o de quatro anos atrás. O saldo da balança com o Brasil encolheu US$ 250 milhões, mas segue positivo: US$ 1,1 bilhão. No mercado colombiano, a venda de manufaturados rendeu US$ 2,3 bilhões aos exportadores, com o saldo em US$ 1,4 bilhão, níveis parecidos com os de 2008.

A perda de espaço da produção brasileira no continente se deve à concorrência asiática, segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Enquanto os produtos asiáticos inundaram os mercados de Chile, México, Peru e Colômbia, o Brasil perdeu competitividade. Além disso, acordos bilaterais entre latino-americanos e asiáticos também prejudicaram os exportadores brasileiros.

A assinatura da Aliança do Pacífico, acordo de livre comércio entre Chile, México, Peru e Colômbia, que pretende aprofundar a aliança comercial deles com países da Ásia, mostra um continente com países abertos ao livre comércio. O Brasil "está perdendo o trem da história", segundo Castro.

"Estamos vendo o cenário externo mudar e não fazemos nada, continuamos isolados achando que o Mercosul vai resolver. Enquanto o mundo se abre e se torna mais agressivo, o Brasil se acomoda. Perdemos um espaço que vai ser difícil recuperar", afirma.

Um dos principais fatores que levaram o Brasil a perder presença na região foi a desvalorização cambial, segundo o presidente da associação dos exportadores. No primeiro trimestre de 2006, o dólar ficou em média a R$ 2,17. Até o último trimestre de 2008, quando o câmbio foi a R$ 2,34 em função da crise, o real se valorizou sem trégua. Logo depois, no segundo trimestre de 2009, a moeda começou novamente a se apreciar. O ponto mais baixo foi o segundo trimestre do ano passado, quando o dólar ficou em média em R$ 1,56.

De lá para cá, o governo desvalorizou o real, que agora flutua em uma banda entre R$ 2 e R$ 2,10. No entanto, para Castro, mesmo que o câmbio volte ao nível de seis anos atrás, o cenário produtivo nacional é diferente. "Nesse tempo o salário cresceu, os custos de transporte aumentaram e os de matéria-prima também", diz.

A consequência de um mercado latino-americano com menos apetite para a indústria brasileira foi uma queda nas exportações de produtos com valor agregado maior em relação aos básicos ou semimanufaturados no total do comércio exterior brasileiro. Celulares, confecções, refrigeradores e congeladores e aparelhos de televisão, somados, renderam 71% a menos para a balança comercial. Esses produtos, em 2008, tiveram US$ 3,1 bilhões em vendas. Neste ano, de janeiro a outubro, as exportações desses bens não passaram de US$ 819 milhões.

As vendas ao exterior de televisores praticamente pararam em 2012, com faturamento de US$ 314 mil. Quatro anos antes, o montante foi de US$ 53 milhões. Também enfrentam dificuldades as indústrias de refrigeradores e congeladores, cujas vendas passarem de US$ 286 milhões para US$ 82 milhões, e confecções - US$ 556 milhões para US$ 198 milhões.

No entanto, a queda maior em valores absolutos aconteceu com os celulares, que alcançaram US$ 2,2 bilhões em exportações em 2008. Agora, o montante soma US$ 538 milhões. Na contramão, a Weg, fabricante de motores, vai tendo ótimo desempenho nos principais mercados latinos. A estratégia para crescer 30% em média ao ano, nos últimos três anos, foi estabelecer produção nesses mercados regionais. Com 14 fábricas no Brasil, a Weg conta com três unidades na Argentina e três no México.

"A instalação nos principais mercados nos ajuda a ter mais solidez. O Chile, por exemplo, tem se mostrado um mercado espetacular para a gente", afirma Luis Gustavo Lopes Iensen, diretor da Weg.

 
Fonte: Jornal Valor Econômico

Suspenso do bloco, Paraguai aumenta vendas para mercado brasileiro em 35%

Mesmo suspenso das atividades políticas do Mercosul, acusado de não garantir a "plena vigência democrática", o Paraguai conseguiu aumentar em 35% suas exportações ao Brasil, entre julho e novembro, em comparação com o mesmo período do ano passado.

O bom desempenho foi garantido pela demanda aquecida e pela alta nos preços das commodities. Em volume, os embarques paraguaios ao Brasil, no período após a suspensão, somaram 25% a mais do que no mesmo período de 2011.

Para o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, a continuidade, até em maior volume, das vendas paraguaias ao Brasil demonstra que o Mercosul cumpriu seu compromisso de evitar prejuízos à população e à economia do país mais pobre do bloco, apesar da punição política ao país. Durante o ano, o aumento das vendas paraguaias ao mercado brasileiro deve chegar a 40%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento.

O Paraguai foi suspenso em julho após o juízo político que, em dois dias, instaurou e encerrou um processo de impeachment contra o então presidente Fernando Lugo. Os governos da União das Nações da América do Sul (Unasul), decidiram que não havia sido garantido o direito legítimo de defesa ao presidente deposto, e suspenderam o país da organização. O mesmo foi feito no Mercosul, onde o governo argentino chegou a propor sanções econômicas aos paraguaios.

De janeiro a novembro, quase 60% das vendas do Paraguai ao Brasil foram em produtos básicos alimentícios: trigo, milho, soja, carnes de bovino desossadas e arroz. Cerca de metade das exportações paraguaias de carne tem origem em frigoríficos de capital brasileiro, segundo o economista Gustavo Rojas de Cerqueira César, do Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep).

As vendas paraguaias de carne desossada aumentaram quase 160% de janeiro a novembro de 2012, comparadas às exportações em igual período do ano passado. As exportações de carne desossada congelada cresceram quase 90%.

As estatísticas de comércio bilateral indicam que os brasileiros foram buscar no Paraguai os grãos que a situação do mercado internacional fez faltar no mercado interno. O principal produto da pauta de exportação paraguaia ao Brasil em 2012 (vendas de US$ 170 milhões, ou 19% da pauta de exportações ao mercado brasileiro) foi o trigo, com aumento de 204% em relação às importações brasileiras de trigo paraguaio em 2011, até novembro.

As vendas de têxteis paraguaias aos brasileiros também cresceram significativamente, ainda que alguns produtos, como cobertores, tenham sido barrados pelos mecanismos de defesa comercial no Brasil, sob acusação de serem produtos chineses travestidos de mercadoria do sócio no Mercosul. As vendas de edredons, almofadas e travesseiros cresceram 180%, as de lençóis estampados de algodão, 79%, e de tecidos impermeabilizados, impregnados com PVC, 375%.

Apesar da suspensão política, a reunião de cúpula do Mercosul, em Brasília, em dezembro, teve representantes paraguaios nos fóruns de empresários e da sociedade civil. O governo não tem ainda definição sobre a readmissão do país no bloco.

 
Fonte: Jornal Valor Econômico

26 de dezembro de 2012

Antecipação de exportação não engata após alteração de prazo

A decisão do Banco Central de ampliar de um para cinco anos o prazo das linhas de pagamento antecipado de exportações (conhecido no mercado por "PA"), publicada no dia 4, teve pouco efeito nas novas contratações pela modalidade. A interpretação de participantes do setor é que muitas empresas já tinham fechado as suas contas para o ano e que algum impacto deva ser sentido apenas a partir de janeiro.

De acordo com os dados mais recentes do Banco Central (BC), os valores concedidos via PA, até 14 de dezembro, mostram que a média diária de contratações caiu nos dez dias posteriores ao anúncio, para US$ 122,2 milhões. A média de contratação diária em novembro, antes da ampliação de prazo sair, era de US$ 137 milhões. Na semana imediatamente anterior à medida, a média de contratações estava em US$ 134,4 milhões.

Tradicionalmente, dezembro é um mês mais fraco para novas contratações de PA, pois é uma época em que as empresas fecham seus balancetes anuais e evitam se endividar, conta um executivo de banco. A modalidade é vantajosa porque não paga Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ou Imposto de Renda.

Nas agências do Banco do Brasil, responsável por pouco mais de um terço das concessões feitas via PA no país, houve um aumento da procura por tais linhas nos dias posteriores à decisão do BC, mas poucas operações foram concretizadas, diz João Carlos Pinto de Mello, gerente-executivo da diretoria de negócios internacionais.

"Parecia haver uma demanda reprimida, tudo indicava que faríamos novas contratações logo nos primeiros dias após o anúncio", afirma Mello, do BB. "Mas isso não ocorreu na velocidade que imaginávamos." A procura maior por tais linhas deve ser retomada em janeiro, mês em que empresários têm uma ideia melhor de como será o ano para as exportações.

Uma fonte de um outro banco disse que ainda não foi possível identificar um aumento significativo nas novas contratações das linhas de PA. Ele espera que a medida do governo tenha algum reflexo nas concessões a partir de janeiro.

"Grande parte das linhas de exportação já tinha sido fechada quando veio a notícia do governo. Devemos reconhecer um movimento maior a partir de janeiro, quando as empresas estarão se planejando para o ano", disse o gerente de câmbio de um banco médio que preferiu não se identificar.

Entre os exportadores que cotaram as linhas de PA no BB após a mudança do governo, muitos procuraram saber se as novas condições estavam competitivas em relação às linhas de capital de giro oferecidas em reais, que ficaram mais baratas após a rodada de corte de taxa de juros dos últimos meses, disse Mello. "Antes, PA era uma modalidade considerada imbatível. Agora, compete mais de perto com várias outras de capital de giro que ficaram mais baratas."

Os custos para a concessão de uma linha de PA dependem muito do perfil de risco do tomador, do prazo e da forma do pagamento. Além disso, deve ser levado em conta no preço se a operação requer uma proteção cambial ("hedge") ou não.

Quando o BC restringiu o prazo das linhas de PA para um ano, em março, argumentou que era preciso "disciplinar " o mercado para evitar operações que chegavam a dez anos e tinham objetivo especulativo (o chamado "carry trade", em que se toma dinheiro barato no exterior para aplicar em juros no Brasil). A medida de reduzir o prazo da modalidade acabou por atingir muitos exportadores que se valiam de tais linhas principalmente como capital de giro.

Como o prazo para PAs ficou restrito a um ano durante a maior parte de 2012, o valor concedido por essa modalidade deve ficar bem abaixo do visto em anos anteriores. Até 14 de dezembro, as concessões somavam US$ 38,7 bilhões. Ainda que esse valor cresça quando estiverem fechadas as estatísticas do ano, a tendência é terminar bem mais baixo do que o total de 2011, de US$ 50,5 bilhões, ou de 2010, de US$ 41,169 bilhões.


Fonte: Jornal Valor Econômico

Manaus inaugura novo modelo

O novo Porto de Manaus, localizado em uma área pública da antiga Siderúrgica do Estado do Amazonas (Siderama) e com investimentos previstos de R$ 400 milhões, deverá inaugurar o modelo de concessões de portos do governo federal. A expectativa da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável pela licitação das cinco concessões anunciadas neste mês pela presidente Dilma Rousseff, é publicar o edital de Manaus ainda no primeiro trimestre de 2013.

"O perfil de Manaus é de contêineres, principalmente para atender à Zona Franca, já que existem apenas dois terminais e eles estão saturados", diz Pedro Brito, ex-ministro da Secretaria de Portos e atual diretor da Antaq, anunciando que esse será o primeiro edital. A expectativa do governo é que o porto possa estar funcionando até o fim de 2014, movimentando 665 mil TEUs (contêineres de 20 pés) por ano.

Diferentemente dos outros planos lançados nos últimos meses para ampliar os investimentos em logística e transportes - para rodovias, ferrovias e aeroportos -, o pacote de portos não tinha uma data clara para os leilões de novos projetos. Brito antecipa que, logo após Manaus, o edital para a licitação do Porto de Imbituba (SC) deverá sair até o fim do segundo trimestre. "O BNDES já foi contratado para fazer a modelagem", afirma o diretor.

Imbituba, único porto cuja administração é totalmente privada no Brasil, teve sua concessão de 70 anos encerrada em meados deste ano. Ainda briga, na Justiça, para estendê-la por três anos.

Já as concessões dos portos de Ilhéus (BA) - também conhecido como Malhado - e de Águas Profundas (ES) estão em estágio menos avançado e ficarão para o segundo semestre de 2013, na melhor das hipóteses. O Porto Sul da Bahia, que será erguido também em Ilhéus e substituirá Malhado como o maior terminal da região, vive um momento de definição. De acordo com o diretor da Antaq, o governo baiano estuda a criação de uma sociedade de propósito específico (SPE) com empresas interessadas em usar o porto e pode acabar pedindo uma autorização para construí-lo diretamente como terminal de uso privativo, em vez de uma concessão nos moldes recém-divulgados pela União.

Se seguir esse caminho, ganha mais liberdade na definição de tarifas e na própria gestão do porto, mas isso pode dificultar - em circunstâncias específicas - o acesso dos usuários ao empreendimento. "Tem de ser a alternativa mais viável do ponto de vista financeiro. O importante é que o aporte é todo privado."

Brito, que participou ativamente do desenho final das medidas anunciadas por Dilma no início de dezembro, afirma que um decreto presidencial disciplinará questões ainda pendentes no pacote. Essas questões abrangem pontos como o critério de seleção de projetos de terminais privativos onde houver demonstração de interesse de outras empresas, além da proposta original, após chamada pública. O valor do investimento e a capacidade de movimentação de cargas deverão ser os critérios adotados.

O ex-ministro ressalta que a Antaq precisará aumentar sua equipe com novos concursos e estima uma necessidade de expandir o efeito da agência em 30%, devido às novas atribuições que ela ganhou, como a de licitar todos os arrendamentos de terminais dentro dos portos públicos. "Estamos criando três grupos-tarefa na Antaq: um trabalhará só nas licitações de arrendamentos, outro cuidará dos terminais de uso privativo e das estações de transbordo e cargas, e um terceiro estará apenas com as concessões", explicou Brito.

No prazo de 12 meses, a agência também fará a adaptação dos contratos de 129 terminais privativos às regras da Medida Provisória 595, enviada ao Congresso para dar suporte legal às novas regras do setor portuário.

 
Fonte: Jornal Valor Econômico

21 de dezembro de 2012

A alíquota interestadual para importados

Desde a edição da Resolução nº 13, de 2012, pelo Senado Federal, que estipulou alíquotas interestaduais diferenciadas para produtos importados, os contribuintes afetados esperavam maiores detalhes sobre a forma de implementação e controle da aplicação da medida.

Agora, com a publicação dos Ajustes SINIEF nº 19 e 20, no dia 9 de novembro, que alteram e instituem novas obrigações acessórias, resta aos contribuintes cerca de um mês e meio para adequar seus procedimentos, já que as medidas entram em vigor no início de 2013.

O princípio parece simples: operações interestaduais com mercadorias importadas, ou produzidas com mais de 40% de conteúdo importado, serão realizadas mediante aplicação da alíquota de 4%.

Como sempre, há exceções. Mercadorias sem similar nacional, tal como definidas pela Camex (vide Resolução nº CAMEX 79/2012), as produzidas de acordo com a legislação da Zona Franca de Manaus, as produzidas ao amparo de determinados benefícios, como o da Lei da Informática, Padis e PATVD, bem como o gás natural, fazem jus à mesma alíquota aplicada à mercadoria de origem nacional.

A Camex amplia a lista de exceções ao tratar como bem sem similar nacional determinadas mercadorias sujeitas à alíquota de 0% ou 2% do Imposto de Importação, bens incluídos em "ex-tarifários" conforme tabela a ser elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento, ou, por fim, aqueles que não tenham similar nacional.

Ocorre que a aplicação das medidas implica no controle do conteúdo de material importado, ou da ocorrência das exceções acima apontadas, por toda a cadeia de circulação das mercadorias, de modo a possibilitar a ocorrência de uma operação interestadual em qualquer etapa com a correta determinação da alíquota.

Esse é o papel da Ficha de Conteúdo de Importação (FCI), instituída pelo Ajuste Sinief nº 19/12. Ela será elaborada e entregue ao Fisco Estadual por todo aquele que executar operações de industrialização com mercadorias importadas e indicará, de forma individualizada, o conteúdo importado de cada mercadoria produzida. Na prática, sempre que houver uma etapa de industrialização com material importado, ainda que residualmente, haverá a necessidade de preenchimento e entrega da FCI.

 
É possível vislumbrar complicações advindas da nova sistemática

Nessas operações, os contribuintes em geral deverão informar o valor da parcela importada e os que a industrializaram acrescentarão, ainda, o número das respectivas FCIs. Note-se que poderá haver resistência quanto a essa obrigação, uma vez que expõe um componente do custo da mercadoria.

Mas os problemas não param por aí. É possível vislumbrar uma infinidade de complicações advindas dessa nova sistemática de tributação interestadual, além do fato de que a Organização Mundial do Comércio veda o tratamento diferenciado de mercadorias importadas após o desembaraço e pagamento dos direitos aduaneiros.

Além disso, o cálculo do conteúdo importado, que toma por referência a base de cálculo do ICMS-importação, terá de conviver com componentes discutíveis do custo de importação, como os direitos antidumping incidentes sobre algumas mercadorias e injustamente incluídos na base de cálculo do ICMS pelos Estados.

Empresas que não têm nenhuma atividade de comércio exterior passarão a ter que acompanhar a criação e modificação de "ex-tarifários", alterações na alíquota do Imposto de Importação e até a revisão de atos que reconheçam a inexistência de similar nacional para uma determinada mercadoria, pois uma alteração nessas normas (originalmente voltadas apenas para o comércio exterior) pode implicar na imediata alteração da alíquota interestadual, afetando operações que ocorrem dentro do Brasil.

Contribuintes que produzam mercadorias com conteúdo nacional inferior a 40% e queiram manter as alíquotas interestaduais atualmente aplicáveis devem verificar o quanto antes a possibilidade de enquadramento em uma das exceções à regra.

As empresas também poderão afetar concorrentes questionando a inexistência de similar nacional ou atuando para impedir a renovação de benefícios dados a mercadorias importadas.

Cabe a todos os afetados pelas novas medidas refletir, em meio às atribulações decorrentes da proximidade de sua implementação, sobre as oportunidades e os riscos que já podem ser vislumbrados.

 
Fonte: Jornal Valor Econômico

Com crise, movimento em Suape avança apenas 0,5% até novembro

A crise econômica internacional afetou o desempenho do Porto de Suape em 2012. Segundo números divulgados nesta quinta-feira, a movimentação de cargas no ancoradouro pernambucano somou 10,2 milhões de toneladas entre janeiro e novembro deste ano, um avanço de apenas 0,5% em relação ao mesmo período de 2011. Já o movimento de contêineres caiu 7,1% no mesmo intervalo de comparação, para 366.543.

Presidente de Suape, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Marcio Stefanni, disse em nota que a movimentação de contêineres é a que mais sente os efeitos da crise global. “Percebemos que quase todos os portos do país estão com queda na movimentação. Sendo assim, avaliamos que Suape se beneficiou no contexto Nordeste, se compararmos com outros portos da região. Por isso, apesar da redução, ainda consideramos nosso resultado positivo”, argumentou.

Com mais de cem empresas instaladas em sua retroárea, o Complexo Industrial e Portuário de Suape abriga empreendimentos importantes, como a Refinaria Abreu e Lima, a Petroquímica Suape e o Estaleiro Atlântico Sul.


Fonte: Jornal Valor Econômico