26 de setembro de 2012

Brasil mudou o 'mix de juros e câmbio' para se defender, afirma Dilma

A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira, em entrevista coletiva em Nova York, que o Brasil teve que se defender da chamada guerra cambial por meio da adoção de um novo "mix" de juros e câmbio. "Tivemos que procurar nos defender", afirmou a presidente, que fez de manhã o discurso de abertura da 67ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Dilma não detalhou o que seria esse novo "mix" de juros e câmbio. Nos últimos meses, porém, o governo impôs medidas para desestimular a entrada de capitais e o Banco Central passou a atuar mais fortemente no mercado cambial, ao mesmo tempo em que reduzia os juros básicos da economia para os menores patamares da história.

A presidente falou da atitude "defensiva" brasileira ao descrever a chamada guerra cambial e ao propor que os países adotem novo pacto de crescimento, dois temas preponderantes em seu discurso na abertura do encontro da ONU.

Didaticamente, ela explicou que a maciça expansão monetária feita por países desenvolvidos está levando à desvalorização de suas moedas e à valorização da taxa de câmbio dos países emergentes. "A moeda desvalorizada é um dos mais conhecidos instrumentos de competição internacional", disse Dilma, em entrevista no Hotel St. Regis, onde está hospedada. "Apesar de não estar previsto [nas regras comerciais internacionais] como um elemento artificial de concorrência, é um elemento artificial de concorrência.”

As acusações de que o Brasil está caminhando para o protecionismo também foram rebatidas pela presidente. Essa é uma acusação feita, por exemplo, por uma carta entregue ao governo brasileiro pelo representante comercial americano, Ron Kirk, que vê como protecionismo a movimentação do país para aumentar tarifas de importação de milhares de produtos.

Dilma citou um ranking recente divulgado pela Global Trade Alert qua mostra que o Brasil impõe menos medidas classificadas como protecionistas do que outros países ocidentais e que, quando consideradas as medidas de liberalização, o país aparece como um dos que menos fecharam sua economia. "Os países deveriam formar num novo pacto em vez de apontar o dedo uns para os outros", afirmou Dilma.


Fonte: Jornal Valor Econômico

Exportação do Brasil foi a mais afetada pelo ajuste argentino

O Brasil arcou com a maior parte do ajuste cambial argentino este ano. As importações argentinas de origem brasileira caíram 16% entre janeiro e agosto, de acordo com dados divulgados ontem pelo Indec, o instituto oficial de estatísticas do país, enquanto a redução global de compras externas da Argentina foi de 7%.

Em termos absolutos, nos oito primeiros meses do ano a Argentina importou US$ 45 bilhões, ou US$ 3,5 bilhões a menos que no mesmo período em 2011. No caso de produtos brasileiros, a redução foi de US$ 2,5 bilhões, com queda de importações de US$ 14,2 bilhões para US$ 11,7 bilhões.

Desde fevereiro deste ano, a Argentina introduziu uma série de restrições no comércio exterior, o que provocou reclamações de 40 países na Organização Mundial do Comércio (OMC). A barreira mais relevante foi a criação de uma declaração jurada exigida aos importadores, o que na prática significou a extensão do regime de licenças não automáticas para todos os produtos.

A queda nas importações fez com que o país acumulasse superávit comercial de US$ 10 bilhões nos primeiros oito meses do ano, compensando a redução de 1% nas exportações, que acumularam US$ 55 bilhões. O saldo na balança é estratégico para a situação fiscal da Argentina, que não conta com fontes de financiamentos externos.

"A redução das compras com origem no Brasil foi mais drástica do que a de outros mercados em razão da pauta que existe entre os dois países. A Argentina adquire produtos industrializados e insumos usados para a fabricação de manufaturados, que são exportados para o próprio mercado brasileiro, sobretudo no setor automotivo", disse o economista Marcelo Elizondo, da consultoria DNI, ex-presidente da Fundação Export Ar, órgão de promoção de exportações do governo argentino.

De acordo com Elizondo, o desaquecimento da economia argentina fez com que se reduzisse a compra de bens de capital. A desaceleração brasileira freou a indústria automotiva. As exportações argentinas para o Brasil, movidas pelas montadoras, caíram de US$ 11,3 bilhões para US$ 10,6 bilhões entre janeiro e agosto. E as restrições governamentais travaram o restante dos negócios.

A redução das importações argentinas, que paralisou negócios como a exportação brasileira de carne suína ou de calçados, fez com que o governo brasileiro começasse a retaliar a Argentina em uma cesta de dez produtos, a maioria deles da agroindústria, a partir de maio.

A partir de junho, os governos dos dois países começaram a negociar diretamente e as vendas do Brasil para a Argentina deixaram de retroagir mês a mês, ainda que permaneçam em níveis muito abaixo dos registrados em comparação com 2011.

Em agosto, por exemplo, as exportações brasileiras para a Argentina ficaram em US$ 1,6 bilhão. É uma recuperação em relação ao US$ 1,3 bilhão registrado em junho e o US$ 1,4 bilhão de julho, mas são US$ 500 milhões a menos que os US$ 2,1 bilhões vendidos em agosto do ano passado.

"Os únicos mercados vendedores para a Argentina que se mantiveram ativos em 2012 são os que fornecem derivados de petróleo e gás", disse Elizondo. De acordo com dados do Indec, as importações argentinas no segmento de energia variaram pouco: de US$ 6,9 bilhões entre janeiro e agosto do ano passado para US$ 7 bilhões este ano.

As importações argentinas da União Europeia subiram 10%, atingindo US$ 8,4 bilhões. E o fim do acordo automotivo com o México não travou as importações do país de produtos do Nafta. As compras com origem no bloco aumentaram 3%, somando US$ 7,3 bilhões, graças às vendas para os Estados Unidos.

As maiores variações negativas ocorreram em relação a países com uma pauta de exportações de produtos industrializados, semelhante à que o Brasil tem com a Argentina, como a China (queda de compras de US$ 6,4 bilhões para US$ 6 bilhões) ou Coreia do Sul (redução de US$ 1 bilhão para US$ 750 milhões).


Fonte: Jornal Valo Econômico

Na ONU, Dilma defende medidas "legítimas" de defesa comercial

Crítico ferrenho do protecionismo cambial das economias avançadas, o Brasil se vê agora na desconfortável situação de justificar as suas próprias ações. Ontem, no discurso feito na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidente Dilma Rousseff rechaçou as acusações de que o Brasil está colocando barreiras ilegítimas à competição estrangeira.

"Não podemos aceitar que iniciativas legítimas de defesa comercial por parte dos países em desenvolvimento sejam injustamente classificadas de protecionismo", afirmou a presidente, fazendo o discurso de abertura da reunião, que tradicionalmente cabe a um brasileiro.

O Brasil tem sido acusado por países desenvolvidos, de forma crescente, de protecionismo comercial. A mais recente reclamação foi feita pelo representante comercial americano, Ron Kirk, em carta ao ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, referindo-se aos movimentos do Brasil para aumentar tarifas de importação de centenas de produtos. "O aumento de tarifas pelo Brasil claramente representa uma medida protecionista", afirma Kirk na carta entregue ao Itamaraty na semana passada, que recebeu uma dura resposta das autoridades brasileiras.

Em seu discurso na ONU, Dilma não citou a polêmica em torno do aumento de tarifas. Mas se referiu a ele de forma indireta, ao defender a tese de que as ações dos emergentes não se constituem protecionismo, e sim legítima defesa comercial, porque estão amparadas pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A presidente afirmou, no discurso, que "o protecionismo e todas as formas de manipulação do comércio devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta".

As acusações de protecionismo enfraquecem o discurso feito pelo Brasil até aqui de que é uma das principais vítimas das chamada "guerra cambial", uma expressão usada há dois anos pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para denunciar a competição comercial desleal produzida pela manipulação cambial por países emergentes e desenvolvidos.

Há pelo menos duas facetas da chamada guerra cambial. Uma é a subvalorização de moedas asiáticas, sobretudo da China, por meio de pesadas intervenções no mercado de câmbio. A outra faceta são as políticas monetárias extremamente relaxadas de economias desenvolvidas, que ampliam a liquidez no mercado internacional e levam à perda de valor de moedas fortes como o dólar e o iene japonês.

Na ONU, Dilma concentrou sua artilharia nos países desenvolvidos. "Os bancos centrais de países desenvolvidos persistem em uma política monetária expansionista, que desequilibra as taxas de câmbio", afirmou. "Com isso, os países emergentes perdem mercado, devido à valorização artificial de suas moedas."

Dilma levantou a bandeira da guerra cambial também no seu discurso do ano passado e, desta vez, esperava-se que ela subisse um pouco o tom, usando expressões mais duras, como chamar os baixos juros e a emissão de moedas de economias desenvolvidas de "tsunami monetário".

Ela, no entanto, fez um discurso mais técnico, mostrando que a rápida consolidação fiscal em alguns países avançados causa desaceleração econômica, deixando nas mãos dos bancos centrais a tarefa do superdosar a política monetária para estimular a atividade.

Dilma defendeu que organismos multilaterais, como a ONU, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial assumam a tarefa de coordenar a ação monetária e fiscal de seus membros, como forma de impedir o aprofundamento da recessão e de controlar a chamada guerra cambial.

Na entrevista coletiva que concedeu no hotel St. Regis, onde está hospedada, depois de seu discurso na ONU, Dilma afirmou que o Brasil teve que se defender da chamada guerra cambial por meio de uma adoção de um novo mix de juros e câmbio. "Tivemos que procurar nos defender", afirmou a presidente. "Nós mudamos o mix câmbio-juros", afirmou

Ela não detalhou o que seria esse novo mix de juros e câmbio. Nos últimos meses, porém, o governo impôs medidas de controles de capitais, e o Banco Central passou a atuar mais forte no mercado cambial, levando à desvalorização do real, ao mesmo tempo em que reduzia os juros básicos da economia para os menores níveis da história.

Dilma falou da atitude "defensiva" brasileira ao descrever a chamada guerra cambial e ao propor que os países adotem um novo pacto de crescimento, dois temas preponderantes em seu discurso na abertura da ONU.

Didaticamente, explicou que a maciça expansão monetária feita por países desenvolvidos está levando à desvalorização de suas moedas e à valorização da taxa de câmbio dos países emergentes. "A moeda desvalorizada é um dos mais conhecidos instrumentos de competição internacional", disse ela para os jornalistas. "Apesar de não estar previsto [nas regras comerciais internacionais] como um elemento artificial de concorrência, é um elemento artificial de concorrência", afirmou.

A presidente brasileira rechaçou as acusações de que o Brasil está caminhando para o protecionismo. Dilma citou um ranking recente divulgado pela Global Trade Alert qua mostra que o Brasil impõe menos medidas classificadas como protecionistas do que outros países ocidentais e que, quando consideradas as medidas de liberalização, o país aparece como um dos que menos fecharam sua economia.

"Os países deveriam formar um novo pacto em vez de apontar o dedo uns par aos outros", disse. Segundo ela, os países deveriam encontrar políticas de recuperação que, quando adotadas, não atinjam uns aos outros.

Dilma informou aos jornalistas que o acordo para a compra de aviões da Embraer foi um dos temas discutidos em telefonema com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan. Questionada se houve avanços na negociação, ela disse que "sim". "Agora está naquela fase de discutir os preços", disse a presidente, sem fornecer mais detalhes. Além de Embraer, outro tema discutido com o primeiro-ministro turco foi a crise da Síria. Segundo ela, o Irã não foi tema de discussão.

A presidente negou que tenha discutido um acordo de livre comércio em reunião na segunda-feira com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. "Acordo de livre comércio seria um tema do Mercosul", disse, procurando deixar claro que não está atropelando os demais membros do bloco econômico regional.

Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, havia sugerido que a conversa de Dilma com Durão foi para retomar as negociações de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. "Vamos tentar agendar uma reunião negociadora do acordo birregional entre Mercosul e União Europeia no mês de outubro. E deverá ser organizada uma reunião de cúpula entre Brasil e União Europeia, um compromisso anual que a princípio fica para janeiro de 2013", disse Patriota. Apesar de negar negociações para esse acordo de livre comércio, Dilma destacou a importância de aprofundar as relações comerciais entre o Brasil e a Europa.

 
Fonte: Jornal Valor Econômico

Brasil tem déficit em conta corrente de US$ 2,5 bi em agosto

O Brasil registrou em agosto déficit de US$ 2,568 bilhões em suas transações correntes com o exterior. No acumulado em 12 meses, a conta de comércio, serviços, transferências de renda e transferências unilaterais foi deficitária em US$ 49,702 bilhões, o equivalente a 2,12% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo Banco Central (BC) para o mesmo período.

A cifra do mês ficou um pouco acima da que havia sido prevista pelo BC (US$ 2,1 bilhões). Ainda assim, a autoridade monetária reduziu a projeção para o déficit no ano calendário de 2012 para US$ 53 bilhões, contra US$ 56 bilhões na estimativa anterior.

A estimativa para o superávit da balança comercial em 2012 manteve-se em US$ 18 bilhões. O resultado se dará, pelas projeções do BC, com o ingresso de US$ 248 bilhões via exportações descontados do envio de US$ 230 bilhões em importações.

O déficit em conta corrente mensal caiu em relação a julho, quando foi de US$ 3,766 bilhões. Houve queda também, ainda mais substancial, em relação a agosto de 2011, quando as despesas consideradas nas transações correntes superaram as receitas em US$ 4,849 bilhões.

No acumulado de janeiro até agosto, o déficit em transações correntes também recuou na comparação com igual período do ano passado, saindo de US$ 34,441 bilhões para US$ 31,662 bilhões.

Tanto no mês quanto no acumulado até agosto, a falta de receitas do país para bancar suas transações correntes com o exterior foi coberta com folga pelo ingresso de investimentos estrangeiros diretos. O fluxo líquido de IED alcançou US$ 5,034 bilhões em agosto e US$ 43,175 bilhões nos primeiros oito meses do ano.

O BC também revisou a projeção de ingresso de IED para o acumulado deste ano para US$ 60 bilhões, contra US$ 50 bilhões na estimativa anterior. Em 2011, o Brasil recebeu US$ 66,66 bilhões desses recursos.


Fonte: Jornal Valor Econômico

25 de setembro de 2012

Brasil e UE farão reunião técnica em outubro

A presidente Dilma Rousseff deu um empurrão nas negociações de livre comércio entre o Brasil e a União Europeia, em uma reunião de cerca de duas horas com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Ambos estão em Nova York para participar da assembleia anual das Nações Unidas, que será aberta hoje. Foi confirmada uma reunião técnica para outubro, em que os dois lados vão começar a avaliar caminhos para um possível acordo entre os blocos econômicos do Mercosul e da UE. "Há o interesse em aumentar o comércio, examinar a integração maior das cadeias produtivas", disse o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, ao fim da reunião.

A expectativa é que, na reunião técnica, sejam feitas as primeiras discussões sobre a lista de ofertas dos dois blocos econômicos. Em janeiro, Durão deverá participar no Brasil de uma reunião de cúpula entre Brasil e União Europeia. Fonte do Palácio do Planalto disse que a iniciativa de pedir a reunião com Dilma foi da UE.

Em relação à compra de 36 novos caças para a FAB, Dilma pretende esperar até meados de 2013 para tomar uma decisão, disseram duas fontes oficiais à agência "Reuters". A presidente deve falar com Barack Obama sobre o adiamento durante possível encontro nesta semana na ONU. O Brasil pretende gastar pelo menos US$ 4 bilhões na aquisição dos caças.


Fonte: Jornal Valor Econômico

Balança tem superávit de US$ 454 milhões na 3ª semana de setembro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 454 milhões na terceira semana de setembro, informou nesta segunda-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O saldo positivo resulta da diferença entre US$ 4,957 bilhões em exportações e US$ 4,503 bilhões em importações.

No acumulado do mês, o saldo da balança comercial é positivo em US$ 2,128 bilhões. No ano, o resultado das transações comerciais brasileiras é positivo em US$ 15,298 bilhões. No mesmo período do ano passado o superávit da balança comercial era de US$ 22,519 bilhões.

A média diária de US$ 1,073 bilhão nas exportações até a terceira semana de setembro é 3,2% inferior à média diária de US$ 1,109 bilhão dos embarques realizados em setembro de 2011. A diminuição das vendas de básicos e semimanufaturados explica a queda na média diária no acumulado de setembro de 2012, quando comparado com o mês fechado de 2011.

A média diária de embarques de produtos básicos recuou 4,1%, dos US$ 540,6 milhões de setembro de 2011 para US$ 518,4 milhões no acumulado de setembro deste ano, por conta, principalmente, de café em grão, soja em grão e minério de ferro.

Nas vendas de semimanufaturados a média diária caiu 13,8% na mesma comparação, passando de US$ 164,3 milhões em setembro de 2011 para US$ 141,6 milhões nas três primeiras semanas deste mês. O resultado se deve à queda no embarque de óleo de soja em bruto; ouro em forma semimanufaturada; semimanufaturados de ferro/aço; açúcar em bruto; ferro-ligas; ferro fundido; e celulose.

As exportações de manufaturados avançaram 2,7% na comparação da média diária acumulada neste mês (US$ 392,7 milhões) com setembro de 2011 (US$ 382,6 milhões). Os principais responsáveis pelo crescimento foram os embarques de óleos combustíveis; etanol; tubos flexíveis de ferro/aço; motores e geradores; e laminados planos de ferro/aço.

Na outra ponta, as importações diminuíram 4,3% nas três primeiras semanas de setembro de 2012, com média diária de US$ 921 milhões, ante US$ 962,5 milhões em todo o mês de setembro de 2011.

No comparativo, diminuíram os gastos, principalmente, com combustíveis e lubrificantes (-37,1%); cereais e produtos de moagem (-15,5%); borracha e obras (-13,5%); adubos e fertilizantes (-7,0%); e aparelhos eletroeletrônicos (-3,4%).


Fonte: Jornal Valor Econômico

Indefinição no Tecondi não afeta plano da EcoRodovias

Mal adquiriu seu primeiro ativo portuário, o Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi) do porto de Santos, a EcoRodovias se deparou com duas pedras no caminho. A nulidade do arrendamento pela Justiça Federal, em primeira instância, e a impossibilidade de prorrogação do contrato, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por receber áreas sem licitação.

A empresa recorreu nas duas frentes e diz que essas questões foram totalmente calculadas no processo de aquisição do ativo, que pertencia ao grupo Formitex. A compra do complexo Tecondi (que inclui ainda as empresas Termares, de armazenagem, e a Termlog, de transporte) foi concluída em junho por R$ 1,3 bilhão.

Entendemos que a questão do setor portuário pode estar causando um certo frisson no mercado. A EcoRodovias se caracteriza por enfrentar esse tipo de problema toda vez que entra em um novo setor", afirma o diretor-presidente da EcoRodovias, Marcelino Rafart de Seras, destacando a chegada ao negócio de construção rodoviária, em 1998.

O Tecondi é o terceiro terminal em movimentação de contêineres em Santos e o quinto do país. Tem uma capacidade anual de movimentação de 524 mil contêineres e de armazenagem: 135 mil contêineres. A área total é de 181 mil metros quadrados. A receita líquida do terminal em 2011 foi de R$ 466 milhões.

A decisão da Justiça, de julho, foi baseada em duas sentenças proferidas em ações populares que versam sobre o arrendamento e aditivos contratuais ao contrato do Tecondi, julgadas simultaneamente. As ações são de 2002 e 2005. "Analisamos muito essa questão e estamos absolutamente convictos de que serão revertidas sob uma análise puramente técnica", diz Seras.

De toda forma, argumenta, já existe uma decisão no Superior Tribunal de Justiça determinando que, até trânsito em julgado, qualquer decisão de outros graus não será aplicada. Segundo a Justiça, a ilegalidade está no fato de o Tecondi ter recebido áreas da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) sem prévia licitação e licença ambiental. Essas áreas foram transferidas à empresa para completar o que estava previsto no edital de licitação, mas que não foi entregue, pois a Prefeitura de Santos incluiu parte do terreno que seria do Tecondi no seu plano de revitalização portuária.

A Codesp, então, passou a conceder terrenos remotos ao Tecondi para completar o que estava no edital. Dos 170 mil metros quadrados que constam do edital, o Tecondi tem 132 mil metros quadrados desconexos. Sem integração, as áreas comprometem a eficiência operacional.

Uma das sentenças determina a desocupação da área que a Prefeitura incluiu no plano de revitalização (correspondente aos armazéns 1 a 4) para "a destinação legal a cargo da Codesp". Analistas do setor entendem que aqui existe uma brecha para o Tecondi reaver os terrenos previstos no edital, o que seria ideal, pois os armazéns 1 a 4 ficam contíguos à área atual do terminal. A hipótese possibilitaria ao Tecondi ter um extenso cais contínuo e integração de pátio. Seras não comenta se o recurso interposto na Justiça defende essa modelagem.

A EcoRodovias estuda entrar no negócio portuário desde 2007, quando fez um estudo sobre os gargalos brasileiros. Em 2009, a empresa disputou a compra de uma fatia do terminal Embraport, no porto de Santos. Mas perdeu a concorrência para a Odebrecht, que levou em sociedade com a operadora internacional Dubai Ports World. Também fez uma proposta na BTP, no cais santista.

Paralelamente, a estratégia foi se capacitar na retaguarda para chegar ao porto com capilaridade, ofertando à carga todos os ativos da cadeia logística. "Estamos nos estruturando desde 2010 na retaguarda", afirma Seras.

O braço logístico da EcoRodovias, a Elog, controla atualmente três plataformas multimodais (os chamados ecopátios de Cubatão, Imigrantes e Viracopos), dez portos secos e quatro centros de distribuição que atendem os principais corredores de comércio exterior nas regiões Sudeste e Sul.

"Estamos procurando a logística integrada que existe nos países mais modernos. O terminal portuário se destina única e exclusivamente à movimentação de contêiner com relação ao navio. Todos os serviços afeitos a essa atividade são feitos em áreas remotas. Hoje no Brasil se pratica esse tipo de serviço dentro dos terminais, é uma anomalia", diz.

A decisão de comprar um terminal no porto de Santos ocorreu por conta de sua localização, que num raio de até 200 quilômetros abarca praticamente 31% do PIB brasileiro. Já a opção pelo Tecondi leva em conta, também, a expectativa no novo marco regulatório portuário em preparação pelo governo. "Estamos muito bem instalados. Se [o governo] decidir não renovar as permissões já vencidas depois de 1993, há uma série de oportunidades que podem ser exploradas", sustenta o executivo.

Depois da aquisição do Tecondi, o setor de logística mais que dobrou a participação no faturamento do grupo, passando a responder por 35%.


Fonte: Jornal Valor Econômico