11 de novembro de 2011

Importados ficam com 23,4% do consumo industrial

Por Rodrigo Pedroso | De São Paulo

As importações passaram a responder por 23,4% do consumo doméstico de bens industriais no terceiro trimestre deste ano, segundo dados atualizados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Esse percentual representa um pequeno ganho de espaço em relação à participação ocupada pelos produtos do exterior no trimestre anterior - o aumento no coeficiente de importação da indústria geral foi de 0,5 ponto. Esse aumento ocorreu em um cenário de aumento das exportações, combinado com leve alta da produção interna.

Para o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) Roberto Giannetti da Fonseca, "praticamente um quarto do que o país consome vem de fora". Na indústria de transformação, o crescimento do coeficiente, em comparação ao segundo trimestre do ano, cresceu 0,8 ponto percentual, chegando a 22,3% do consumo doméstico.


No levantamento, de 33 setores da indústria pesquisados, 29 apresentaram alta no coeficiente de importação na comparação com o terceiro trimestre de 2010. Aqueles que mais dividiram espaço com os produtos importados foram os de tratores, máquinas e equipamentos para agricultura, com aumento de 9 pontos no terceiro trimestre, e metalurgia e metais não-ferrosos, com 4,6 pontos, ambos em relação ao terceiro trimestre do ano passado.

Do outro lado da balança, o coeficiente de exportação, que mede a participação das exportações na receita da indústria, cresceu, mas em um ritmo menor do que as importações. No terceiro trimestre de 2011, os produtos vendidos ao exterior representaram 20,2% do total da indústria, alta de 0,3 ponto percentual em relação aos três meses anteriores e de 1 ponto sobre o terceiro trimestre de 2010. Na indústria de transformação, o acréscimo foi menor, de 0,1 ponto sobre o segundo trimestre, passando a representar 17,1% do total. Na série com ajuste sazonal, a produção industrial total do país cresceu 0,1% entre julho e setembro.

Gianetti acredita que o aumento das importações evidencia uma desindustrialização do país, pois o produto estrangeiro está tomando lugar da produção nacional. "Estamos em um mundo globalizado, não é ruim importar. O problema é que a indústria não consegue competir aqui e tem que exportar, enquanto o consumo está sendo substituído pelos produtos de fora. E isso preocupa", afirma.

Alguns setores evidenciam esse quadro. Enquanto a siderurgia aumentou as exportações em 47,4% na comparação entre o terceiro trimestre de 2010 e o deste ano, a produção encolheu 1,5%. Na mesma comparação, no segmento de máquinas e equipamentos paras fins industriais e comerciais, as exportações aumentaram 26,7% enquanto a produção caiu 2,4%. O setor mais afetado no último ano foi o de calçados, que viu as exportações caírem 23,5% e a produção 11,5%, em igual intervalo.

Para Giannetti da Fonseca, três fatores devem favorecer a maior penetração de bens importados em 2012: o real valorizado, a demanda menor por parte das economias desenvolvidas e os incentivos fiscais que alguns Estados dão aos importados. "Esse é o cenário que devemos enfrentar", diz.

Mesmo a previsão de crescimento do país acima das maiores economias mundiais no ano que vem não vai mudar a situação da indústria nacional. "Veículos, geladeiras, bens de consumo duráveis, em geral, já estão dando sinais de arrefecimento na produção. Apesar da perspectiva de aumento de 4% do PIB no ano que vem, a indústria pode não crescer. Esse é o setor que mais sofre hoje na economia brasileira", afirma. A estimativa da Fiesp é de que o dólar feche o ano em R$ 1,80. Contudo, Giannetti acredita que a moeda americana precisaria valer R$ 2,00 para atenuar a penetração dos importados.

Outro entrave interno é o incentivo fiscal dado por Estados como Santa Catarina, Paraná e Pernambuco a importadores, que desembarcam as mercadorias para depois levá-las a mercados maiores dentro do país.

9 de novembro de 2011

Faturamento sobe, mas emprego e produção do setor caem

Por Tainara Machado e Thiago Resende | De São Paulo e Brasília Valor Econômico
 
Os indicadores da indústria voltaram a registrar descompasso em setembro. Enquanto a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou crescimento de 1% no faturamento real do mês na comparação com agosto, a produção caiu 2% na mesma comparação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda na passagem de agosto para setembro, a CNI registrou menor uso da capacidade instalada. Entre as explicações, os economistas listam redução dos estoques, aumento real dos preços e até mesmo ganho de competitividade.

Na passagem mensal, a Utilização da Capacidade Instalada caiu de 82,2% para 81,6% na série com ajuste sazonal, de acordo com a CNI. O resultado foi condizente com o recuo de 2% da produção industrial mostrado pelo IBGE em setembro. No entanto, o faturamento real da indústria, também dessazonalizado, avançou 1% no mesmo período. Para o gerente de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a tendência divergente mostrada por esse conjunto "sugere que há um movimento de redução de estoques".
Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, afirma que essa explicação faz sentido, pois a indústria teria se desfeito de estoques acumulados, enquanto a produção continuou estagnada. Thiago Carlos, economista da Link Investimentos, também avalia ser possível melhorar o faturamento sem contrapartida na atividade. "Mas, pelo que observamos, a indústria continua bem estocada, e o processo de ajuste ainda não deve ter acabado", disse.

Para José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, essa hipótese é válida, "mas não dá para fazer leitura precisa, mais informações são necessárias para ajudar a interpretar esse dado", disse. Gonçalves aponta também como hipótese para o avanço do faturamento um aumento real dos preços.
Ganhos em termos de custos e competitividade, com aumento das importações ao longo da cadeia produtiva, podem ser parte da explicação, na avaliação de Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg.

Para ela, o descolamento não foi um evento pontual, mas é uma tendência que aparece ao longo de 2011, á que setembro foi o quarto mês seguido de avanço do faturamento, enquanto o uso da capacidade patina.
Mais da metade dos setores da indústria de transformação apresentaram queda em setembro na utilização da capacidade instalada e nas horas trabalhadas na produção, frente ao mesmo mês do ano passado, segundo a pesquisa da CNI. O dado de emprego avançou 1,1% no ano, mas em setembro sobre agosto, com ajuste sazonal, foi registrada queda de 0,3%, a maior retração mensal desde abril de 2009. "O emprego já sente o menor ritmo de atividade", conclui Castelo Branco, que acredita no mercado de trabalho bem mais fraco no setor até o fim do ano.

O economista ressaltou ainda que os resultados dos indicadores industriais são preocupantes, pois o período entre agosto e novembro é considerado forte para o setor. Entre os 19 setores pesquisados, nove tiveram recuo em pelo menos dois dos indicadores citados. Além disso, o índice de utilização da capacidade instalada registrado em setembro (81,6%) é o menor desde fevereiro de 2010.

Para a CNI, a crise internacional e o aperto monetário no primeiro semestre afetaram os resultados da indústria e provocaram a desaceleração do setor. "As medidas macroprudenciais de controle do crédito e aumento da taxa de juros, que aumentou o custo do crédito, terminaram impactando a demanda doméstica", afirma Castelo Branco.

1 de novembro de 2011

Dólar fecha acima de R$ 1,70, mas ainda perde 9,46% no mês

Por Eduardo Campos | Valor

SÃO PAULO – Do começo ao fim do pregão os compradores pautaram a formação de preço do dólar no mercado local. E mesmo retomando a linha de R$ 1,70, o dólar fecha o mês de outubro acumulando queda de 9,46%, maior perda mensal desde maio de 2009. No ano, a moeda ainda apresenta valorização de 2,28%.

No fim dessa segunda-feira, o dólar comercial apontava alta de 1,18%, a R$ 1,704 na venda, máxima do dia. As compras se acentuaram nos minutos finais do pregão.
Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar pronto ganhou 0,99%, para R$ 1,6926. O giro do dia ficou em US$ 104,75 milhões.

Também na BM&F, o dólar para dezembro subia 1,89%, a R$ 1,718. O dólar para novembro que expira no encerramento do pregão de hoje avançava 0,86%, a R$ 1,688.
Os contratos que não foram rolados para outros vencimentos serão liquidados pela Ptax. A taxa referencial calculada pelo Banco Central (BC) fechou o mês em R$ 1,6885, queda diária de 0,59%. No mês, a taxa caiu 8,95%.

Segundo o diretor de tesouraria do Banco Prosper, Jorge Knauer, a formação de preço do dólar ficou alinhada com o cenário externo.

Depois dos últimos dias de “exuberância irracional”, diz o diretor, o mercado passa por um dia de salutar correção de preços. “Pelas notícias que vêm de fora, mesmo com o acerto na Europa, não há motivo para uma arrancada tão forte como a observada. Não há uma reversão do processo, mas sim boas intenções na Europa”, explica.

Dentro desse quadro de grande incerteza, diz Knauer, não há motivo para uma melhora muito maior no preço do dólar e de outros ativos. “O dólar deve ficar, mesmo, ao redor de R$ 1,70”, diz.

Câmbio Externo
O dólar ganha de seus principais rivais no mundo todo nesta segunda-feira. Além das preocupações inerentes à crise na Europa, a moeda americana ganhou fôlego depois que o Banco do Japão (BoJ) foi a mercado conter a alta do iene, que testava preços não vistos desde 1945.

A intervenção, a terceira do ano, surtiu efeito e o iene teve o maior tombo diário ante o dólar desde 2008. A moeda chegou a cair mais de 4%. A divisa japonesa opera ao redor dos 78 iene por dólar, depois de cair a 75,38 por dólar.

Captando a demanda por divisa americana, o Dollar Index (DXY), que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas, subia 1,44%, a 76,17 pontos. Enquanto o euro operava com forte baixa, recuando 1,60%, a US$ 1,391.

Ilustrando a desconfiança do mercado com o pacote europeu de medidas anunciado na semana passada, o custo de financiamento da Itália voltou a subir. A taxa dos papéis de 10 anos operou acima dos 6%.
Completando o quadro de incerteza, a corretora MF Global Holdings entrou com um pedido de falência em Nova York, após perdas com apostas em papéis de governos europeus.

Leia as manchetes de hoje dos principais jornais do país

VALOR ECONÔMICO
- Restrições param mercado de câmbio na Argentina
- Japão gasta US$ 89 bi para defender iene
- Ano termina sem brilho para emissão de ações
- Angra vai administrar Bertin Energia
- Os riscos da ausência de Lula no PT

FOLHA DE S.PAULO
- Escolas e creches de Kassab sobem 28% em um ano
- Desemprego na zona do euro cresce e atinge 16 milhões
- Biópsia indica 'agressividade média' em tumor de Lula
- Grécia quer fazer referendo sobre pacote anticrise
- Unesco aceita Palestina, e EUA congelam repasse

O ESTADO DE S.PAULO
- Dinheiro do Esporte e do DF contratou empresa do Pc do B
- Unesco aceita Palestina; Eua e Israel cortam verba
- Justiça anula as 13 questões do Enem que vazaram
- BNDES reduz previsão de investimento
- Amazônia recupera área desmatada

O GLOBO
- Posse no Esporte vira ato de desagravo ao PCdoB
- Juiz anula 13 questões do Enem no país
- Unesco perde ajuda após voto pró-Palestina
- Desemprego é recorde na zona do euro
- Estado alega que protegeu deputado

(Valor)

Índice de atividade da China desacelera em outubro

Por Luís Eduardo Leal | Valor | Dow Jones
 
PEQUIM - O índice oficial dos gerentes de compras da China recuou para 50,4 em outubro, comparado a 51,2 em setembro, de acordo com informações divulgadas nesta terça-feira pela Federação de Logística e Compras da China (CFLP, na sigla em inglês) e pela Agência Nacional de Estatísticas do país. 
O índice veio bem abaixo da mediana das previsões feitas por analistas ouvidos pela Dow Jones, de 51,7 para outubro. Índices acima de 50 significam expansão da atividade e abaixo desse nível, retração.
A leitura de outubro interrompeu uma série de dois meses consecutivos de melhora no desempenho do indicador, sinalizando que o crescimento da atividade industrial possa estar desacelerando em consequência das medidas de ajuste da política monetária adotadas pelas autoridades chinesas para conter a inflação. 

27 de outubro de 2011

Líderes europeus fecham pacote contra a crise financeira

Por Assis Moreira | Valor Econômico

BRUXELAS - A zona do euro tem enfim um pacote para conter sua dramática crise que tambem ameaça a economia mundial. Os lideres da zona do euro anunciaram um acordo às 4h da manhã (horário local), após 10 horas de negociações. Para isso, tiveram que dar um ultimato aos bancos: ou aceitavam anular em 50% a dívida da Grécia ou eles deixariam Atenas anunciar o ‘calote’. Os banqueiros não demoraram nem uma hora para voltar aceitando o ultimato.

Assim, primeiro os credores privados aceitaram abandonar ‘voluntariamente’ metade da divida da Grécia, que será assim reduzida em 100 bilhões de euros, de um total de 350 bilhões de euros. Além disso, os banqueiros vão refinanciar outros 110 bilhões de euros em condições favoráveis para os gregos, mas, nesse caso, conseguiram garantias dos governos da ordem de 30 bilhões de euros.

A divida da Grécia será reduzida para 120% do PIB até 2020. Um novo programa da Uniao Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), de até 100 bilhões de euros, será implementado até o final do ano para os gregos.

Segundo, foi criada uma barreira de proteção contra contágio, com um acordo para multiplicar em até cinco vezes o poder financeiro do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) para socorrer países e bancos em dificuldade. A alavancagem poderá chegar a 1 trilhão de euros, dependendo da resposta que os investidores derem ao programa europeu.

Terceiro, foi alcançado um acordo para recapitalizar os bancos que precisarem de mais capital. Os bancos terão de alcançar um nível de 9% de capital de melhor qualidade até junho do ano que vem. Com isso, a necessidade de recapitalização é estimada em 106 bilhões de euros pela Autoridade Bancária Europeia, sendo 30 bilhões de euros para os bancos da Grécia; 26,1 bilhões de euros, da Espanha; 14,7 bilhões de euros, para a Itália, e 8,8 bilhões de euros, para os bancos franceses.

Quarto, ficou acertado também o começo da governança econômica da zona do euro. Todos os países terão de adotar a ‘regra de ouro’, que significa manter as contas públicas equilibradas. Um presidente para a zona do euro será escolhido.

A Itália, vista como a bola da vez, apresentou um amplo programa para equilibrar seu orçamento até 2013. Uma das medidas será o aumento da idade de aposentadoria para 67 anos até 2026.

"A decisão é histórica, todos quiseram evitar uma catástrofe", comemorou Nicolas Sarkozy, o presidente da França.

24 de outubro de 2011

Riscos aumentam sem acordo sobre crise do euro

Por Associated Press
 
BRUXELAS - Os líderes europeus adiaram de novo a tomada de difíceis, mas necessárias, decisões para salvar o continente de sua crise da dívida, mas prometeram ontem que vão fazer um plano completo.
Ao mesmo tempo que os representantes levam muito tempo para agir, o perigo segue crescendo em uma situação já, por ela mesmo, de alto risco.

Os líderes dos países mais ricos do continente tiveram um domingo de palavras incomumente duras para o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, uma vez que muitos temem que a Itália pode ser a próxima vítima da crise da dívida se não realizar rapidamente grandes cortes orçamentários.

A Europa resgatou três países pequenos: Grécia, Irlanda e Portugal, mas não se pode permitir socorrer a Itália, a terceira maior economia da zona do euro. Analistas disseram que os líderes da União Europeia, conhecidos como Conselho Europeu quando se reúnem em Bruxelas, têm que atuar agora para eliminar a possibilidade de um colapso financeiro da Itália.

"Entre agora e quarta-feira, alguns integrantes do Conselho Europeu têm que convencer seus colegas para que seus países implementem por completo os compromissos", disse o presidente da União Europeia, Herman van Rompuy, depois das reuniões do dia, referindo-se claramante à Itália. Na quarta-feira, os líderes vão se encontrar novamente, para revelar sua resolução, como prometeram.

Quando questionado mais tarde o que pode ocorrer se os países não chegarem a um acordo, Van Rompuy respondeu que eles "vão se comprometer". Mas não está claro que a mensagem foi entendida. "As bases italianas são sólidas", disse Berlusconi a jornalistas depois de uma reunião de 12 horas.

O presidente francês Nicolas Sarkozy disse que a União Europeia vai obrigar aos bancos elevar suas reservas de liquidez em 2012 a níveis muito altos e antes do prazo solicitado originalmente.
Ao fim da cúpula de Bruxelas, Sarkozy comentou que as margens de capital que os bancos devem alcançar em 2019, pelas regras do acordo de Basileia 3, serão obrigatórias agora em 2012 para as grandes instituições creditícias do bloco.

O dirigente francês não detalhou quanto os bancos vão ter de ampliar suas reservas com a antecipação da vigência das regras, mas um funcionário europeu disse no sábado que as instituições financeiras seriam obrigadas a captar pouco mais de 100 bilhões de euros, seja mediante emissão de ações, venda de ativos ou pedido de assistência aos governos.

(Associated Press)